A ideologia por traz da agressão da PM aos estudantes da UNILA

Todo mundo sabe que a violência “extra-judicial” é sistematicamente aplicada por forças públicas de segurança. No Paraná não é diferente. “Chegar batendo” é um comportamento típico das corporações militares. Seja lá em quem e por qual motivo for. Claro que o público alvo preferencial são sempre as classes menos favorecidas ou sujeitas a alguma espécie de discriminação. E o motivo pode ser qualquer um, inclusive e especialmente, o de questionar a ação.

Nesse espírito, que ainda não entende o que seja o Estado de Direito e ignora os direitos humanos fundamentais, a PM paranaense dá um espetáculo de violência, espancando e agredindo verbalmente estudantes da UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) de Foz do Iguaçu.

O fato não é notório por ser único, mas por ser emblemático e ter sido razoavelmente documentado, o que não ocorre na maioria de situações similares.

A abordagem teria ocorrido no último domingo (03/06) em razão de uma reclamação por perturbação da ordem, pois os estudantes estariam fazendo uma festa com som alto.

(Um crime sem tamanho para os padrões comportamentais da capitania hereditária paranaense!…)

E claro, algum estudante deve ter questionado a ação militar e tido como resposta o que se espera de uma polícia “republicana”: porrete!

Será que os estudantes da UNILA, vindos de diversos países, vizinhos ou não, conhecem os “rígidos padrões comportamentais da sociedade brasileira”?

O vídeo mostra bem as cenas. Não dá para ignorar esse fato internacionalmente vergonhoso (pois alguns agredidos eram estrangeiros), como tem feito nossa grande mídia, porta-voz dos senhores de engenho dos dias atuais.

No ato o soldado chega a perguntar por que o garoto veio estudar sociologia e se o mesmo seria marxista!?! Pode?

A “perturbação à ordem” era pelo som alto ou pelo fato de serem estudantes de sociologia de uma universidade latino-americana?

Isso é repressão política. A Secretaria de Segurança Pública do Paraná deve se pronunciar a respeito do caráter abusivo, ilegal e ideológico de ações militares como essa.

O fato, ainda que não denotasse caráter político, já seria absolutamente reprovável.

É hora de fazermos valer o Estado de Direito e não deixar que as vozes e forças da escuridão continuem a massacrar diariamente as garantias fundamentais da pessoa humana.

Posicionamento da UNILA

Fonte: UNILA

Universidade solicita apuração no caso envolvendo alunos e a Polícia Militar

Diante do ocorrido no Hotel Passaporte neste final de semana, a UNILA solicitou à Corregedoria da Polícia Militar que fosse aberto procedimento disciplinar, a fim de apurar a ação por parte de PMs na abordagem dos alunos residentes naquele estabelecimento que funciona como moradia estudantil para cerca de 60 estudantes.

Na abordagem, os policiais solicitaram aos alunos que dois representantes os acompanhassem até a delegacia. Não chegando a um consenso, iniciou-se um clima tenso entre os dois grupos, que desencadeou uma série de ações por parte dos policiais que não corresponde ao preparo que se espera na abordagem com qualquer cidadão.

Ao final, sete alunos foram detidos e levados à delegacia. Dois deles, um brasileiro e um venezuelano, foram autuados. Por parte dos estudantes, criou-se um clima de tensão e medo em função da violência sofrida. Todos os envolvidos fizeram, nessa quarta-feira (06), exame de corpo de delito.

A UNILA se sente na obrigação, enquanto instituição federal de ensino, de se posicionar veementemente contra os excessos cometidos pelos policiais militares no exercício de suas funções.

De acordo com o Comando da PM, será instaurado um Inquérito Policial Militar e o resultado será encaminhado ao Ministério Público Militar, no caso de crime militar, e ao Ministério Público Estadual, no caso de crime comum. Todo o processo deve durar cerca de 90 dias e será acompanhado de perto pela Universidade.

Infelizmente alguns órgãos de imprensa desvirtuaram informações e impuseram aos alunos da UNILA, de maneira generalizada e irresponsável, uma imagem perante a sociedade que não condiz com a realidade.

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana tem como missão contribuir para o desenvolvimento dos países latino-americanos e caribenhos, através da educação e do conhecimento compartilhado. Nos dias 4 e 5 de junho, logo após a ocorrência envolvendo alunos e PMs, a Universidade realizou o 1º Encontro de Iniciação Científica e de Extensão. Os resultados de um evento acadêmico de alta relevância, com a apresentação de trabalhos produzidos pelos alunos, ficaram à margem e deram lugar a notícias negativas.

A cidade de Foz do Iguaçu vive uma nova realidade com a chegada dos estudantes e uma oportunidade única de contato com jovens de diversos países do continente que estão envolvidos nas atividades de ensino, pesquisa e extensão. A UNILA está sensibilizada com relação aos fatos ocorridos e irá acompanhar todo o caso, a fim de buscar uma resposta condizente com os anseios de toda a comunidade universitária.

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