O apoio a Fruet e o suicídio político do PT de Curitiba

Antes de mergulhar na reflexão desse fenômeno, é preciso alertar os desavisados que o PT de Curitiba não decidiu nenhum apoio a Fruet (ex-PSDB). Não há sequer um vestígio de proposta formal de apoio a Fruet no PT. O que ocorreu no dia 15 de abril foi a eleição da chapa de delegados que votarão no Encontro Municipal, que vai decidir, finalmente, qual será o rumo do partido nas eleições.

As manchetes da imprensa (golpista), que dão como fato consumado o apoio ao ex-tucano, de forma convenientemente imprecisa (e fundamentalmente incorreta), são sinais do estranho arranjo que se opera nos insondáveis bastidores da política curitibana.

Existe explicação para que o PT de Curitiba deixe de lançar candidato a prefeito no primeiro turno, tendo como pré-candidatos lideranças consolidadas e representativas, como os deputados Tadeu Veneri e Dr. Rosinha, para apoiar Gustavo Fruet do PDT, até ontem notório tucano e ferrenho opositor?

A proposta de aliança, de difícil compreensão, ainda que não decidida formalmente, vem sendo cozinhada em fogo brando, há um bom tempo, pelas correntes que dirigem o partido em Curitiba e nas esferas estaduais e municipais, sob o comando de importantes quadros nacionais, como os ministros Paulo Bernardo e Gleisi Hoffman . Fruet deixou o PSDB quando o partido decidiu apoiar a reeleição do atual prefeito Luciano Ducci (PSB), e foi para o PDT já com a sinalização de um acordo com o PT para o lançamento de sua candidatura à prefeitura de Curitiba.

Só que tal aliança, perfeita nos cálculos da corrente majoritária, esbarraria, obviamente, nos critérios mais rigorosos que algumas correntes do PT, minoritárias, insistem em fazer observar, como o da coerência política e partidária. O debate eleitoral, requisitado por setores consideráveis do partido interessados na candidatura própria, foi taticamente despistado pela direção municipal ao longo de todo o ano de 2011. O objetivo era desestimular a movimentação interna para que o projeto de candidatura própria chegasse sem força aos momentos decisórios finais.

Dessa forma, o projeto de apoio a Gustavo Fruet, ainda que amplamente conhecido e divulgado pela imprensa, nunca foi formalmente apresentado ao PT de Curitiba.

Até mesmo nas eleições internas do dia 15, a maioria dos filiados votou numa chapa que propunha "uma aliança para mudar Curitiba com você". Não há um único vestígio de proposta de apoio formal a Fruet no PT de Curitiba!

E foram 43% os favoráveis a uma candidatura própria, tendo como pré-candidatos o deputado estadual Tadeu Veneri e o deputado federal Dr. Rosinha, ambos com grande prestígio junto à população, contra a forte pressão exercida pelos quadros nacionais e a maioria da direção municipal. 43% é quase metade do partido.

Terminada a contagem de votos, no outro dia, a grande imprensa, com a sutil e conveniente imprecisão que lhe é característica, divulga para os quatro ventos que o PT selou o apoio ao Fruet.

Lembremos: 1) não existe nenhuma proposta formal de apoio a Fruet no PT em Curitiba e 2) A decisão final do PT só ocorrerá no fim de abril, no Encontro Municipal do partido.

A estratégia do campo majoritário petista conta com a ajuda da imprensa golpista paranaense, que através da divulgação de pesquisas e matérias tendenciosas, além de desinformar, atua para incutir na opinião pública argumentos favoráveis à aliança.

Isso demonstra como tem sido a forma com que a proposta de apoio a Fruet vem sendo conduzida no PT de Curitiba: decidida previamente pela cúpula dirigente e empurrada goela abaixo dos militantes, com muitos truques de camuflagem.

Esse tipo de coisa só ocorre porque, para um partido que lidera o governo federal e tem representantes locais de peso no cenário político nacional, é bastante constrangedor explicar uma aliança como essa.

Caso confirmada a aliança, o que faria o eleitor de Curitiba diante das opções dadas – Luciano Ducci (PSB, apoiado pelo PSDB), Rafael Greca (PMDB), Ratinho Jr. (PSC/PCdoB!) e Gustavo Fruet (PDT-recém saído às lágrimas do PSDB/PT!)???? Não existe esquerda capaz de liderar um projeto em Curitiba? Vai sobrar para o PSOL e PSTU reivindicarem os espólios do PT?

Enfim, não é correto ter como fato consumado o apoio do PT a Fruet. Essa é a estratégia de quem quer fazer passar despercebida a aliança indigesta. A decisão final do PT só ocorrerá no Encontro Municipal dos dias 27 e 28 de abril, onde votarão os delegados eleitos no último dia 15.

Até lá, quem sabe, muitos possam perceber do suicídio político que representa essa aliança.

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