A Líbia somos nós

Com tantas mudanças no cenário econômico mundial, os ataques à Líbia (assim como ocorrido no Iraque) vão deixando de ter espaço nos noticiários. No entanto, desde a visita de Barack Obama ao Brasil, quando os bombardeios da coalizão foram autorizados sobre o país, os ataques jamais cessaram, mas apenas pioraram desde então.

No vídeo abaixo, é possível se ter uma idéia do que era a Líbia antes e no que se transformou depois da guerra.

Uma das últimas mentiras utilizadas pela propaganda de guerra para incriminar o regime de Muammar Gaddafi, a notícia da vala com os corpos de Abu Salim, reportada no Brasil até pelo correspondente do Estadão, não passava de ossos de camelo.

Depois de meses de uma cobertura de guerra inédita, onde a imprensa se transformou numa espécie de RP dos militares – e ainda que jornalistas como Michel Collon e redes latinas de TV venham denunciando as sucessivas manipulações – a coalizão estrangeira já não pode mais negar que sua atuação passa longe de ser “humanitária”, sendo na verdade um misto de estratégia de controle do Norte da África, apropriação do petróleo líbio e “test drive” das novas armas que vem sendo utilizadas na Líbia. Jornais franceses, parte deles de propriedade de indústrias bélicas, não se cansam de publicar os “resultados” das ações militares na Líbia, como os efeitos da utilização de gás mostarda, fósforo branco e urânio empobrecido sobre a população.

O povo líbio tem sofrido, além dos horrores da guerra, com a falta de abastecimento. Esta tem sido uma das principais evidências da crueza da atuação militar no país. Ação militar, aliás, que já está em terra há algum tempo, ao contrário do que negam os porta-vozes da OTAN.

O grande rio subterrâneo, construído por Muammar Gaddafi para levar água ao país, atravessando o deserto do Sahara (e até para abastecer miseráveis países vizinhos no chifre da África), foi bombardeado em vários pontos com o intuito de provocar o desabastecimento de água para a população (nossa delegação, quando na fronteira da Tunísia com a Líbia, pôde testemunhar filas com mais de 50 caminhões com remédios e alimentos aguardando permissão de entrada no país). Ações que mais se assemelham à estratégias de enfraquecimento já utilizadas antes, como na guerra da ex-Iugoslávia.

Esmagar um exército e um povo de pouco mais de cinco milhões de habitantes, depois de privá-los de comida, água e eletricidade, é o que eles vem chamando de “libertação”? O fato é que denúncias de violações aos direitos humanos praticadas pelos mercenários (rebeldes e OTAN) têm se tornado cada vez mais difíceis de esconder.

Nesse vídeo, uma médica de um hospital em Sirte expõe emocionada sua indignação em atender à crianças feridas por bombas da OTAN no último dia 23-09. Ela aponta para as crianças e para um jovem e afirma que “eles não eram soldados de Gaddafi”, mas foram atingidos por bombas na sexta-feira, um dia de celebração para os muçulmanos.

Sirte, Tarhuna e Bani Walid são exemplos de cidades onde não há, nem houve ainda, qualquer batalha em terra por tropas rebeldes contra as do exército líbio. Os ataques ocorrem apenas por via aérea, sobre a população civil, em áreas residenciais. Uma simples busca na internet é o suficiente para verificar a quantidade de vídeos, postados pela população, denunciando os ataques da OTAN e até mesmo dos próprios rebeldes que demonstram com “orgulho” suas execuções praticadas principalmente contra uma maioria de negros acusados de serem mercenários contratados por Gaddafi.

A perseguição à negros imigrantes, com torturas, espancamentos, roubos, estupros e execuções a sangue frio, inúmeras vezes denunciada por organizações de direitos humanos, somadas às mortes de crianças tem revoltado a população. O resultado da operação militar na Líbia, tem sido a resistência, como demonstra o video enviado ONTEM pelos cidadãos de Bani Walid, cidade que tem sido anunciada “sob o controle rebelde” por toda a imprensa mundial:




As manifestações tem se tornado uma onda que toma conta do país e vem se espalhando por outros países, como a Espanha, onde vem ocorrendo sucessivas manifestações contra a intervenção militar na Líbia como esta ocorrida em Madri, encabeçada pelo deputado Gaspar Llamazares:

E essa onda deveria envergonhar os países da coalizão que alegam estar “protegendo” a população Líbia. É uma matemática simples: após mais de seis meses de guerra, uma população “sedenta” por ser “libertada” de um “ditador sanguinário”, já teria conseguido seu intento, agradecendo todos os dias à seus “salvadores”.

A pergunta que devemos nos fazer é: com essa nova configuração nos tratados internacionais, com todas as recentes violações das resoluções da ONU e com o papel ínfimo até mesmo das esquerdas e organizações de direitos humanos em todo o mundo em se opor à ação estrangeira na Líbia, o que faremos (e o que devemos esperar do mundo) quando o alvo formos nós?

Postado por Juliana Medeiros às 18:28:00

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