A mídia contra o desarmamento

Imparcialidade sempre foi uma miragem para o jornalismo televisivo. Mas agora a grande mídia privada perdeu completamente os escrúpulos diante de questões políticas nacionais. A posição da mídia tem sido explícita a respeito de assuntos polêmicos. E não só isso: nessa farsa jornalística, a posição da mídia é a única que aparece. Nenhum espaço é concedido a posições divergentes.

Acabei de assistir ao jornal do SBT, no qual pude constatar a posição da emissora contra a proposta de desarmamento no país, suscitada após a tragédia na escola do Rio de Janeiro. O texto da matéria, a fala de um político conservador, a opinião expressa do âncora do jornal, todos esses elementos foram claramente contrários à proposta de desarmamento. Não houve qualquer espaço para a posição favorável. Foi referido, defendido e reafirmado o alegado ‘oportunismo’ da proposta. Pareceu um amplo consenso, sem qualquer oposição.

Qualquer porta sabe que isso não é jornalismo. Isso é formação desonesta de opinião. É manipulação.

Alguém está vendo que tais parlamentares e emissoras de TV defendem o interesse comercial dos fabricantes de armas, a indústria bélica, que sustentam a grande maioria de políticos conservadores?

Afinal, a discussão sobre o desarmamento não seria um desdobramento óbvio da trajédia ocorrida?

Como é que a mídia tem a audácia de decidir pela população, antecipando sua posição (belicista) e sufocando o debate que ocorre na sociedade?

Assim temos visto a grande mídia tomar suas decisões e afirmar seus posicionamentos usurpando a opinião pública.

Telejornais como esse, se é que esses programas ainda podem ser assim chamados, ferem de forma explícita as regras mais básicas da ética profissional, sem a qual o veículo deveria perder completamente a credibilidade.

A situação ultrapassou há tempos o limite do razoável. Trata-se de infringência clara aos termos legais da concessão pública. É um caso explícito em que a sociedade é prejudicada pelo uso indevido de um serviço, a princípio, público.

Contudo, é a respeito dessa situação absurda que vem gritando há algum tempo o movimento pela democratização da mídia.

Mas, além de gritar, o que mais se pode fazer?

Dois tipos de ações estão no caminho: judiciais e políticas.

Existem fatos concretos que podem subsidiar ações judiciais contra os meios de comunicação. Essas ações deveriam ser propostas por entidades de representação política (sindicatos, associações, partidos, ongs, etc). Seriam demonstradas as ações ilegais dos meios de comunicação, na forma de manipulações, preconceitos, insinuações, sutilezas, entre tantos outros artifícios utilizados sistematicamente com a intenção de induzir a opinião coletiva.
Nessas ações deve estar evidenciado o papel anti-democrático dos meios, em prejuízo à saúde social.

De forma concomitante e paralela, devem ser articulados os movimentos sociais favoráveis à implementação de um novo marco regulatório, para conferir o direito à comunicação por parte da ampla maioria da população e acabar com o abuso praticado pelas atuais redes oligopolistas.

Ações jurídicas e políticas contra a ditadura da mídia!

ocomumbrasil.wordpress.com

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