SERÁ QUE É TÀO DIFICIL DE ENTENDER?

Talvez seja difícil entender.

A hegemonia midiática é a principal ferramenta de manutenção da atual ‘ordem social’.
A mídia é a ferramenta fundamental para que a minoria exerça a hegemonia. A concentração midiática é o espelho da hierarquia de poder. O discurso é único. A visão é capitalista.
Tudo que se sabe sobre o mundo é fornecido pelos canais de informação, que estão concentrados e cumprem um propósito político-ideológico.

Para se apurar um fato e buscar uma narrativa que se aproxime ao máximo da verdade, deve-se reconhecer, no mínimo, o contraditório. Preferivelmente, deve-se montar uma visão a partir de fragmentos multilaterais, compondo um quadro lógico. Aí as notícias começam a parecer verossímeis ou inverossímeis.

Compondo o quadro, as revoltas no Egito e na Tunísia pareceram eclosões populares irresistíveis, massivas e espontâneas, resultado do somatório das opressões sobre esses povos, que sofrem a exclusão social e a violência inerentes à política neoliberal que seguem esses países. Esse era um resultado até previsível por serem países onde as condições sociais pioraram muito recentemente.

Também seria natural que as revoltas contaminassem outros países, como Iemen, Barein e Arábia Saudita, onde a situação econômica, política e social também são instáveis, com uso frequente da violência para reprimir a contestação.

A Líbia é um caso à parte. Por mais que tenha aberto concessões ao capitalismo (assim como o fizeram China e Cuba), a Líbia é um país que goza um status distinto na região. Suas riquezas são nacionalizadas e o país tem um nível de vida destacado no continente.

Não é a ilha da Utopia, mas também não é colônia. Seu sistema político não encena a farsa eleitoral, mas tem conselhos populares ou algo similar, típico de estruturas que buscam se aproximar da democracia direta.

O suficiente para ser considerado ditadura pela mídia, ou melhor, pelo capitalismo.

Mas, essa visão só é possível pela composição de discursos. É preciso ter acesso ao contraditório, para que as versões sejam comparadas e as inverossimilhanças descartadas.

Na Líbia, as contradições capitalistas, aprofundadas com a crise mundial, não podiam ser observadas da mesma forma com o que ocorria em países como Egito e Tunísia. Assim como não podem ser observados os mesmos efeitos da crise em países atualmente alinhados à esquerda ou progressistas, como Venezuela e Brasil, e nos países com orientação neoliberal, como México e Colômbia.

Na Líbia quem se revolta é a classe abastada e que viria a controlar os campos de petróleo numa eventual queda do regime, em sociedade com as potências estrangeiras, patrocinadoras do golpe de Estado.

Retomando, só é possível formar esse quadro com acesso ao contraditório.

Como a grande maioria das pessoas não tem acesso ao contraditório, fica fácil manipular.

As grandes ferramentas da ditadura capitalista mundial são a hegemonia midiática e, finalmente, a violência.

A visão que a grande maioria tem da realidade externa é praticamente nula ou completamente distorcida pelo aparato midiático-ideológico.

Extremamente irônico que em plena era da revolução informacional se viva um obscurantismo tão grande…

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s